"Prefiro viver na Loucura dos santos do que na sobriedade dos loucos"

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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

São Miguel, São Gabriel e São Rafael - 29 de Setembro

Miguel, Gabriel e Rafael amigos, protetores e intercessores que do Céu vêm em nosso socorro
Com alegria, comemoramos a festa de três Arcanjos neste dia: Miguel, Gabriel e Rafael. A Igreja Católica, guiada pelo Espírito Santo, herdou do Antigo Testamento a devoção a estes amigos, protetores e intercessores que do Céu vêm em nosso socorro pois, como São Paulo, vivemos num constante bom combate. A palavra “Arcanjo” significa “Anjo principal”. E a palavra “Anjo”, por sua vez, significa “mensageiro”.
São Miguel
O nome do Arcanjo Miguel possui um revelador significado em hebraico: “Quem como Deus”. Segundo a Bíblia, ele é um dos sete espíritos assistentes ao Trono do Altíssimo, portanto, um dos grandes príncipes do Céu e ministro de Deus. No Antigo Testamento o profeta Daniel chama São Miguel de príncipe protetor dos judeus, enquanto que, no Novo Testamento ele é o protetor dos filhos de Deus e de sua Igreja, já que até a segunda vinda do Senhor estaremos em luta espiritual contra os vencidos, que querem nos fazer perdedores também. “Houve então um combate no Céu: Miguel e seus anjos combateram contra o dragão. Também o dragão combateu, junto com seus anjos, mas não conseguiu vencer e não se encontrou mais lugar para eles no Céu”. (Apocalipse 12,7-8)
São Gabriel
O nome deste Arcanjo, citado duas vezes nas profecias de Daniel, significa “Força de Deus” ou “Deus é a minha proteção”. É muito conhecido devido a sua singular missão de mensageiro, uma vez que foi ele quem anunciou o nascimento de João Batista e, principalmente, anunciou o maior fato histórico: “No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré… O anjo veio à presença de Maria e disse-lhe: ‘Alegra-te, ó tu que tens o favor de Deus’…” a partir daí, São Lucas narra no primeiro capítulo do seu Evangelho como se deu a Encarnação.
São Rafael
Um dos sete espíritos que assistem ao Trono de Deus. Rafael aparece no Antigo Testamento no livro de Tobit. Este arcanjo de nome “Deus curou” ou “Medicina de Deus”, restituiu à vista do piedoso Tobit e nos demonstra que a sua presença, bem como a de Miguel e Gabriel, é discreta, porém, amiga e importante.“Tobias foi à procura de alguém que o pudesse acompanhar e conhecesse bem o caminho. Ao sair, encontrou o anjo Rafael, em pé diante dele, mas não suspeitou que fosse um anjo de Deus” (Tob 5,4).
São Miguel, São Gabriel e São Rafael, rogai por nós!

Fonte: Canção Nova

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

28 de Setembro de 1958 - Uma data especial para um grande santo



Breve resumo de sua vida.

São Paulo (Domingo, 01º de maio de 2011, Gaudium Press) Em 18 de maio de 1920, nasce em Wadowice, sul da Polônia, Karol Wojtyla, que mais tarde viria a se tornar o Papa João Paulo II. Filho de um militar austro-húngaro - de quem herdou o nome - e de uma dona de casa de origem lituana, Wojtyla tem sua infância marcada por dois duros golpes: a morte de sua mãe, Emília Kaczorowsky, e de seu irmão mais velho, Edmund.
No período de sua juventude, Karol Wojtyla demonstra uma forte ligação com o teatro, a música e a literatura, mas um encontro com bispo titular de Cracóvia na época, Cardeal Adam Stefan Sapieha, durante um visita pastoral, desperta pela primeira vez no jovem polonês o desejo de seguir a vida sacerdotal. Apesar do pendor pela vida religiosa, no começo de sua vida universitária Karol Wojtyla se dedica apenas ao teatro. Monta com amigos um grupo de teatro, mas o início da 2ª Guerra Mundial muda seus planos.
Começo da vida sacerdotal
Em 1942, um ano após a morte de seu pai, o futuro Papa ingressa clandestinamente - com o auxílio do bispo titular de Cracóvia - no Departamento Teológico da Universidade Jaguelloniana, e assim começa a viver seus primeiros dias como seminarista. Em 1946, com 26 anos, Karol Wojtyla é ordenado sacerdote no Seminário Maior de Cracóvia, celebrando sua primeira Missa na Cripta de São Leonardo, na Catedral de Wavel.
No mesmo ano de sua ordenação, Padre Wojtyla é enviado por Dom Sapieha até Roma, onde doutora-se em Teologia e Filosofia pela Pontifícia Universidade "Angelicum". Em 1948, volta à Polônia, e após uma rápida passagem pelo interior do país, instala-se novamente em Cracóvia, onde vai aprofundar seus estudos filosóficos, sem deixar, obviamente, seu trabalho como pastor.
Em 1949, com o intuito de obter seu "doutorado de Estado", Karol Wojtyla retorna à Universidade Jaguelloniana. Na instituição de ensino permanece por mais cinco anos até obter o título acadêmico, com uma tese que relaciona a moral cristã com os estudos fenomenológicos do filosofo alemão Max Scheler.
Já doutorado, Padre Wojtyla passa a lecionar na Universidade Católica de Lublin, como titular da cadeira de Ética. Concomitantemente, também dá aulas na Universidade Estatal de Cracóvia.
Bispo, arcebispo, cardeal e Papa
Seguindo sua carreira religiosa, em 1958 é nomeado, pelo Papa Pio XII, bispo titular de Olmi e auxiliar de Cracóvia, tornando-se assim o membro mais jovem do episcopado polonês. Doze anos depois de se tornar sacerdote e presidir sua primeira missa, Karol Wojtyla volta à Catedral de Wavel, agora para ser ordenado bispo pelas mãos do bispo titular, Dom Eugeniuzs Baziak.
No período em que atua como bispo auxiliar, Karol Wojtyla participa ativamente do Concílio Vaticano II (1962-1965). Nesta importante série de reuniões que mudou os rumos pastorais e doutrinais da Igreja Católica, o futuro papa tem importante papel na elaboração da constituição "Gaudium et Spes".
Em 1964, falece o bispo titular de Cracóvia, Dom Baziak. A ascensão de Karol Wojtyla é rápida. Somente após seis anos de sua ordenação episcopal, é nomeado responsável pela diocese polonesa. Um ano depois, o Papa Pio XII ascende Cracóvia à categoria de arquidiocese e Wojtyla torna-se arcebispo.
Na arquidiocese de Cracóvia, Wojtyla destaca-se, entre outras atividades, por seu trabalho de integração dos leigos; de promoção humana e do apostolado juvenil; de formação religiosa dos trabalhadores e por sua forte oposição ao governo comunista que comanda a Polônia na época.
Com pouco mais de 40 anos de idade, a atuação pastoral e intelectual de Karol Wojtyla já se mostra profícua e seu futuro clerical bastante promissor. Não causa espanto então quando, em 1967, o Papa Paulo VI cria-o cardeal.
Como cardeal, Karol Wojtyla participou de cinco Assembleias do Sínodo dos Bispos, que aconteceram previamente ao seu pontificado. Cardeal Wojtyla também foi responsável pela ordenação sacerdotal mais numerosa de sua época. Em 1974, o então purpurado ordenou 43 novos sacerdotes.
Bruno D'Angelo

Fonte: Arautos do Evangelho

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Vida de São Vicente de Paulo

Depois dos apóstolos, talvez não haja homem que mais tenha prestado serviços à Igreja católica e à humanidade inteira. Para contribuir à santificSao Vicente de Paulo_1.jpgação do clero e do povo cristão, instituiu uma congregação de missionários, e continua a propagar a fé em todo o mundo.
Para a santificação dos sacerdotes e dos fiéis, estabeleceu retiros espirituais, cujo uso se espalhou por toda parte. Para a formação de jovens eclesiásticos, para aperfeiçoar-lhes a santidade e exaltar-lhes a vocação, criou seminários, que se espalharam por todo o mundo cristão.
Aos pobres doentes, instituiu a congregação das filhas da Caridade, cujo devotamento admirável provocou o estabelecimento de muitas outras congregações semelhantes.
Para preservar da morte as crianças abandonadas pelas ruas, fundou um hospital de crianças relegadas, e hoje, deste seu exemplo, hospitais e casas outras do gênero, estão disseminadas pela cristandade toda.
Fez mais ainda: hospitais para idosos, insanos, presos e mendigos. Enviava missionários com o fim exclusivo de consolar os escravos cristãos. Supria, às vezes por longos anos, províncias inteiras que haviam sido devastadas pelas guerras, pela fome ou pela peste, como a Lorena, a Champagne e a Picardia. E quem era este homem, esse Vicente de Paulo, esse benemérito?

        Filho dum lavrador, começou por pastorear o rebanho do pai. Feito sacerdote, foi preso por corsários turcos e vendido como escravo nas costas da África.


Quem era Vicente
Vicente de Paulo nasceu numa terça-feira de Páscoa, a 24 de Abril de 1575, na aldeiazinha de Pay, perto de Dax, nos confins de Bordéus, lá para os Pirineus.
        O pai chamava-se Guilherme de Paulo, a mãe Bertranda de Moras. Possuíam uma pequena granja, onde labutavam e donde tiravam o pão de cada dia, para si e para os seis filhos, duas meninas e quatro meninos. Vicente, que era o terceiro, trabalhava como os outros, na quinta: guardava, como vimos, o rebanho, levando-os a pastar. Desde pequeno, sentia compaixão pelos pobres. Quando voltava do moinho, como o saco de farinha às costas, dava-lhes alguns punhados, quando não tinha outra coisa que dar.


Os estudos são iniciados
Com essa bondade de coração, mostrava grande vivacidade de espírito. O pai, então, resolveu fazê-lo estudar. A despesa seria espantosa, mas, esperava, um dia seria recompensado. Assim, enviou-o aos franciscanos de Dax, mediante sessenta libras por ano, segundo o costume do tempo e do país.
Era, então, pelo ano de 1588. O jovem Vicente fez tais progressos, que ao fim de quatro anos, elogiado pelo superior do convento, o senhor de Commet, o advogado de Dax, acabou por tomá-lo em sua casa para que se incumbisse da educação dos dois filhos. Foi esse Commet que, tocado pela virtude de Vicente, e edificado, o aconselhou a abraçar o estado eclesiástico. Vicente, que o respeitava muitíssimo, tendo-o como a um segundo pai, recebeu o conselho com ardor.
O pai, para ajudá-lo, teve que vender uma junta de bois, e Vicente lá se foi para Toulouse, para oSao Vicente de Paulo_2.jpgs estudos de teologia, nos quais gastou sete anos. Durante a estadia em Toulouse, ia o jovem, algumas vezes, estudar em Saragoça.


Estudante e professor
Para não pesar à família, embora o pai, ao morrer, ordenasse que lhe dessem o necessário, retirou-se para a cidadezinha de Buset, durante as férias, ali se encarregando da educação dum número considerável de crianças, cujos pais tinham posses, e se sentiam satisfeitos de poder confiar os filhos a um homem do qual a virtude e a capacidade eram publicamente reconhecidas e propaladas. Mesmo de Toulouse, enviavam-lhe crianças, meninos e meninas, como se vê por uma carta escrita à mãe.
O Duque de Épernon, governador da Guiana, parente próximo dos dois meninos, desejou, e muito, conhecer Vicente, monsieur Vicente, como dizia respeitosamente, por ele vindo a conceber uma estima toda particular.
Vicente retornou de Buset a Toulouse, com os pensionistas, terminando, então os estudos de teologia. Bacharel, dizem deles os autores da Gallia Christiana: Era doutor em teologia. Contudo a prova autêntica daquela afirmação não foi encontrada. Durante os estudos de teologia em Toulouse, Vicente recebeu o subdiaconato, a 19 de Setembro de 1598, o diaconato três meses depois, e, afinal a ordenação, em 23 de Setembro de 1600.


Missão secreta junto a Henrique IV
(...) Em Roma,por causa da assistência que recebeu do Vice-legado, que o hospedou e lhe proporcionou o que fazer, Vicente pode permanecer na cidade até 1608.
 Quando não se dava à devoção, empregava o tempo a repassar os estudos de teologia, feitos em Toulouse, O Vice-legado, apresentou-o ao embaixador da França, o Cardeal d'Ossat, e este o encarregou de importante missão, mas secreta, junto a Henrique IV.
Henrique
IV vira e falara com Vicente de Paulo, mas parecia desconhecê-lo. É que o Santo evitava, cuidadosamente, tudo aquilo que pudesse dar-lhe ares de grandeza. Chamavam-no Monsieur Paulo - nome de família, e aquilo lhe soava como se fora de estirpe ilustre, de modo que, chegando a Paris, apresentou-se e fez-se simplesmente tratar por Monsieur Vicente, o nome de batismo.
Ao invés de usar o título de licenciado em teologia, deixava entrever-se como se fora apenas um pobre professor secundário. Todavia, por mais cuidado que tivesse, escondendo como escondia as virtudes, acabavam descobrindo-as. Um dia, foi apresentado à rainha Margarida, primeira esposa de Henrique IV, a qual, então, fazia profissão de piedade. Essa princesa queria vê-lo. E fez dele o chefe duma casa piedosa, com o título de capelão-ordinário.
Vicente retirou-se depois para os Padres do Oratório, que o Padre de Bérulle viera de fundar: não para se agregar à companhia, mas para viver no retiro sob a direção do piedoso instituidor. Ali ficou o Santo por dois anos. (...)


Predecessor dos filhos do Conde de Joigni
(...)Tempos depois, corria o ano de 1613, deixou o curato: é que o Padre de Bérulle o aconselhara a aceitar o cargo de preceptor dos
Sao Vicente de Paulo_3.jpgfilhos de Filipe Emanuel de Gondi, conde de Joigni, Geral dos galeotes de França, e de Francisca Margarida de Silly, mulher de excelente virtude.
O Geral e a esposa tinham três filhos: o mais jovem faleceu com dez ou doze anos; o mais velho foi duque e par; o segundo tornou-se o famoso cardeal de Retz.
Vicente de Paulo viveu doze anos na casa do conde de Joigni. Quando o casal ia para o campo com os filhos, levando-o também, o maior prazer do Santo era percorrer as vizinhanças e catequizar os pobrezinhos, instruindo-os. Pregando ao povo, exortava-o, administrava-lhe os santos sacramentos, principalmente o da penitência, confirmava-o na fé, com a aprovação dos bispos e o agrado dos curas. (...)


Uma paróquia abandonada
(...) O santo deixou a casa de Gondi em 1617, retirando-se para Bresse, em Chatillon-les-Dombes. Ali era uma como paróquia abandonada.
Havia cerca de quarenta anos que jazia naquele lastimável estado, sem nada; certos beneficiários de Lião sugavam-lhe os magros lucrozinhos. Assim, depois de quase meio século, aquela cidade infortunada, composta de duas mil almas, não tinha propriamente falando, nem cura, nem pastor, nem diretrizes quaisquer espirituais. (...)
São Vicente de Paulo chegou em Chatillon-les-Dombes no mês de agosto de 1617, em companhia dum bom padre do país, chamado Luís Girard. Omo a casa paroquial estava em ruínas, alojaram-se na casa dum tal Beynier. Esse Beynier, calvinista, com o tempo converteu-se.
O programa proposto por Vicente era rígido: levantava-se às cinco horas; meia hora de oração; o ofício e a santa missa diziam-se em horas marcadas, de modo que não se disperdiçava o tempo sem necessidade.
Os dois, Vicente e Luís, cuidava, cada qual da parte da casa que lhes coubera: eles mesmos tratavam da arrumação dos quartos e faziam as camas. Vicente não queria que a enteada do hospedeiro fizesse mais do que já fazia no resto da casa. O novo pastor visitava regularmente, duas vezes por dia, uma parte do rebanho. O resto do tempo era empregado no estudo e no confessionário.
O desejo de ser útil tanto aos pequenos como aos adultos, fê-lo estudar com afinco o dialeto usado familiarmente. Aprendeu-o em pouco tempo, e, passou a falar corretamente, com grande proveito no catecismo. O ofício era celebrado com a maior decência possível. As danças foram banidas, bem como certos escandalosos excessos que desonravam as festas, sobretudo a da Ascensão de Nosso Senhor.
Havia na paróquia seis velhos padres que eram a negação do bom exemplo: Vicente empenhou-se e conseguiu exortá-los a viver em comunidade, obedecendo à regra.

        A cidade inteira, surpresa e edificada, acompanhava as mudanças que se operavam paulatina, mas eficientemente. Tudo estava ficando transformado, caminhando para a perfeição. Os mais sábios acreditavam que aquele homem, a quem a reforma dum clero como o daquele lugar, regularizando-se como estava, sem muitas dificuldades, era assaz competente e conseguiria ganhar para Deus a paróquia toda inteira não demoraria muito tempo.
Efetivamente, quatro meses depois, quem visse Chatillon-les-Dombes ficaria embasbacado, tal a diferença. Os maiores pecadores, em fila, contritos, compareciam ao tribunal da penitência, de modo que o santo, passava um tempo enorme no confessionário. Tão compenetrado estava das coisas espirituais, que se esquecia das mais prementes necessidades da natureza. (...)


Missões no campo
(...) Após as missões, São Vicente de Paulo estabeleceu confrarias de caridade para o socorro aos doentes pobres, Logo precisou de alguém capaz, que visitasse de tempos em tempos as diversas confrarias e nelas conservasse o zelo da caridade e do amor a Deus. A Providência fez com que aparecesse uma viúva, uma santa mulher - Luísa de Marillac. (...)
Vicente, de quando em quando, repousava do trabalho das missões no campo, visitando a capital. Então, aproveitava a oportunidade e percorria as prisões. Falava com os prisioneiros, consolava-os, exortava-os a uma vida futura honesta e consSao Vicente de Paulo_4.jpgtrutiva, ouvia-os em confissão. E aos mais infelizes, os criminosos condenados às galés. Geralmente encontrava-os num estado deplorável. Jaziam trancafiados em masmorras, onde, às vezes, permaneciam por muito tempo, comendo imundícias, como que largados, tomados de uma terrível indiferença, absolutamente descuidados do corpo e da alma. (...)


Imitando a Nosso Senhor Jesus Cristo
Quando o Conde de Gondi, Filipe Emanuel de Gondi, soube da dedicação do santo para com os presos, de como incansavelmente trabalhava para a salvação de todos, principalmente dos mais abandonados e descoroçoados, pensou nos forçados todos do reino. Foi ao rei e falou-lhe do que Vicente de Paulo fazia e quão grandiosa obra era aquela.
O Rei Luís XIII, a uma propositura do Geral dos galeotes, nomeou o Santo Capelão-Geral, ou Mor, de todos os forçados do país. E o diploma foi expedido a 8 de fevereiro de 1619.
Monsieur Vicente de Paulo aceitou o encargo com satisfação: aquilo lhe dava uma semelhança mais com o Salvador do mundo, aquele mundo que era uma imensa prisão abarrotada de criminosos e condenados às galés verdadeiramente perpétuas. A ele, ao mundo atroz, viera o Filho de Deus. Fez-se igual a qualquer um, tomou todos os crimes e todas as penas para si e libertou-os. Vicente, pai dos pobres, na acepção mais pura, desejava imitar o Salvador.
Em 1622, foi visitar os forçados de Marselha. Queria ver em que estado estavam e se poderia fazer o que aos da capital fizera. Chegou sem dar a conhecer o título de Capelão-Mor, tanto para evitar as honras que infalivelmente lhe tributariam, como para melhor agir.

         Indo e vindo, dum lado a outro do presídio, deu com um forçado mais infeliz que culpado, que se desesperava com a condição em que se achava, pensando na mulher e nos filhos, certamente reduzidos à mais negra miséria.
Vicente ficou tão comovido, foi tanta a sua compaixão, que se fez pelo desgraçado o que Paulino de Nola para resgatar da escravidão o filho duma pobre viúva: ofereceu-se para sofrer-lhe a pena pelo resto da vida. A oferta foi aceita, e Vicente levou por algumas semanas as cadeias de ferro dos galeotes - até que se descobriu que se tratava do Capelão-Mor da França. (...)


Incentivador do Cumprimento das Regras
Uma das últimas ações de São Vicente de Paulo foi distribuir exemplares da regra aos membros da sua comunidade. Relembra sucintamente de que maneira começara a obra das missões, o retiro dos ordenandos, as confrarias de caridade, a obra das crianças encontradas. E acrescenta:
Não sei como tudo se fez. Não consigo dizer como tudo foi aparecendo, afirmava Monsieur Portail.

        Os exercícios da comunidade, como surgiram? Não saberia dize-lo. As conferências, por exemplo (Oh! Ainda outras faremos juntos!) com elas nem sonhávamos. A repetição da oração, que outrora era desprezada, e que agora se pratica com bênçãos em muitíssimas comunidades, passou jamais por nosso pensamento? Não sei de nada! Fez-se a pouco e pouco, sem que déssemos conta. As coisas vieram assim, diríamos, de mansinho, uma após outra. Foi Deus, unicamente Deus, quem inspirou tudo.
Rogava, então, aos padres, notadamente a Portail e Alméras, que viessem receber as regras que estabelecera, uma vez que lhe era impossível ir a cada qual, como, todavia, desejava.
Então ele pedia especialmente a Portail e Alméras, que viessem receber as regras até ele, porque lhe era impossível ir a cada um deles, como era seu desejo.
Eles vieram e de joelhos, humildemente, receberam as regras, beijando o livro, as mãos de Monsieur Vicente. E Vicente, a cada um deles, dizia:
- Vem, para que Deus te abençoe.


Oremos...
Terminada a distribuição, Alméras ajoelhou-se e pediu ao santo que o abençoasse e a todos, igualmente de joelhos. Vicente, também prosternado, orou a Deus:
- Ó Senhor, vós que sois a lei eterna e a razão imutável, vós que governais todo o universo por vossa infinita sabedoria; vós, de quem emana, como duma fonte, toda a conduta e as regras do bem viver, abençoai, por misericórdia, os que aqui recebem as regras, como se vindas de vós. Dai-lhes, Senhor, as graças necessárias para que as observem sempre com inviolável fidelidade até a morte. É com confiança, pensando na vossa infinita bondade, que eu pecador miserável, pronuncio as palavras de benção: "Que a benção de Nosso Senhor Jesus Cristo desça sobre vós e em vos permaneça para sempre! Em nome do Padre, e do Filho e do Espírito Santo. Assim seja!
O santo homem fez ainda perto de trinta conferências aos missionários sobre o espírito e a prática de suas regras. Era-lhe o testamento, o testamento de Elias à Igreja. São Vicente de Paulo morreu a 27 de setembro de 1660. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVII, p. 60 à 99) 

Fonte: Arautos do evangelho


SAO VICENTE DE PAULO

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

São Cosme e São Damião não são entidades de umbanda - Sincretismo Religioso

São Cosme e São Damião, festejados
pela Igreja em 26 de setembro

 
NÓS, CATÓLICOS, devemos cultivar gratidão e veneração pelos nossos santos, pelo exemplo de vida e de amor a Cristo que foram e são para nós (conf. Hb 6,12; 1Cor 13,1; João 8,39), e por continuarem a interceder por nós no Céu, unindo suas orações ao único Mediador de nossa Salvação, Jesus Cristo, Senhor nosso (conf. Ap 5,8. 6,9-10. 7,9-10. 8,4. 13-15; Hb 12,1; 1Tm 2,5).


São Cosme e São Damião foram cristãos mártires pela fé, e são cultuados há muitos séculos (desde 300/400 d.C.). Até hoje, seus nomes são lembrados na Liturgia da Santa Missa, e são venerados também na Igreja Ortodoxa, que os homenageia em novembro. Seus restos mortais e suas relíquias estão distribuídos em Roma e em algumas igrejas e mosteiros da Alemanha, católicos e ortodoxos.

Refletiremos neste estudo sobre a ação maléfica do sincretismo religioso, nas lendas e mitologias que cercam o culto a estes e a outros autênticos mártires da fé cristã. Ocorre que, lamentavelmente, no Brasil, o culto destes santos benfeitores foi bastante deturpado através da História, no sincretismo religioso que é típico do paganismo e muito presente nos cultos africanos trazidos pelos escravos a partir do século  XVI.

Sincretismo é a prática de se misturar elementos de religiões diferentes, forçando uma harmonia que de fato não existe. É pretender dar "aparência católica" a um sistema de crenças completamente diferente ou oposto àquilo que prega o catolicismo de fato. Ainda mais lamentável (e nocivo para as almas) é o fato de que hoje tanto a mídia secular quanto parte das próprias instituições católicas ajudam a promover o sincretismo como se fosse coisa boa, louvável, digna e justa. – Como se fosse coisa cristã. – Respeitar a liberdade religiosa e coexistir com as diferentes crenças é uma coisa. O sincretismo religioso, que é desonesto em si mesmo, porque em sua origem já foi pensado para enganar, é outra coisa, completamente diferente.

Ocorre que na triste época da escravatura os cativos africanos criaram uma maneira engenhosa de ludibriar os senhores de engenho: invocavam seus deuses da natureza ou entidades espirituais – os orixás, como "Oxalá", "Ogum", "Iemanjá" e muitos outros – simulando que rezavam para Jesus, Maria ou alguns dos santos mais reverenciados na época, como São Sebastião, São Jorge, Santa Bárbara, São Cosme e São Damião, etc.

Tal situação viria a causar, posteriormente, muita confusão entre o povo católico brasileiro, especialmente entre as pessoas mais simples; situação esta que permanece, em maior ou menor grau, até hoje. No dia da celebração de S. Cosme e Damião, adeptos de diversas seitas costumam distribuir doces às crianças, usando os nomes dos santos católicos para homenagear  determinadas "entidades" espirituais infantis que compõem o panteão de suas crenças. No catolicismo, Cosme e Damião não são crianças: eram irmãos gêmeos e médicos, que entregaram suas vidas como mártires. Abaixo, um resumo de sua verdadeira história.



São Cosme e Damião são mais autenticamente representados, na liturgia oriental, como adultos


A verdadeira história de São Cosme e São Damião

Os gêmeos árabes Cosme e Damião eram filhos de uma nobre família de cristãos. Nasceram por volta do ano 260 d.C. na região da Arábia, e viveram na Ásia Menor. Desde muito jovens, ambos manifestaram um grande talento para a medicina, profissão à qual se dedicaram após estudarem na Síria.

Tornaram-se profissionais competentes e dignos, e foram trabalhar como médicos e missionários na Egéia. Amavam a Cristo com fervor, e decidiram atrair pessoas ao Senhor através dos seus serviços. Por isso, não cobravam pelas consultas e atendimentos que prestavam, e por esse motivo eram chamados de "anárgiros", que significa algo como “inimigos do dinheiro" ou quem "não pode ser comprado pelo dinheiro".

A riqueza que almejavam era fazer de sua arte médica também o seu apostolado para a conversão dos povos: uma missão que, a cada dia, cumpriam cada vez melhor. Seus corações ardiam por salvar as almas, e nisto se envolveram através da prática da medicina. Inspirados por Deus, usavam a fé aliada aos conhecimentos científicos, confiando sempre no poder da oração, e assim operaram verdadeiros milagres, Curaram muitos doentes em nome do Cristo Jesus, vários destes já à beira da morte.

Consta, inclusive, que também preocupavam-se em tratar animais, já que “toda a criação aguarda, com ardente expectativa, pela manifestação da Glória de Deus” (Rm 8,18-19).

Manifestaram autoridade do Alto, pregando o Evangelho inclusive com sinais e prodígios. Sua linguagem e sua pregação, conformes às Escrituras, “não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito de Poder” (ICo 2.4). De tal forma, conseguiram plantar a semente da Salvação em muitos corações, colhendo inúmeras conversões ao Senhor Jesus. Cosme e Damião possuíam uma Revelação clara do chamado que tinham como ministros do Evangelho, chamado que cumpriam no cotidiano de sua rotina profissional, ministrando Cristo através de seu trabalho.

As atividades cristãs dos médicos gêmeos, porém, chamaram a atenção das autoridades locais da época, quando o Imperador romano Diocleciano autorizava a perseguição aos cristãos. Diocleciano odiava os cristãos porque, fiéis a Cristo, não lhe prestavam culto divino, nem adoravam ídolos ou estátuas de deuses pagãos, consideradas sagradas pelo Império Romano.

E assim, por serem cristãos, Cosme e Damião foram presos, levados a tribunal e acusados de se entregarem à prática de feitiçarias e de usar meios diabólicos para disfarçar as curas que realizavam. Ao serem questionados quanto às suas atividades, eles responderam: "Nós curamos as doenças em nome de Jesus Cristo, pela força do seu Poder". Apesar de todas as graves ameaças de terríveis castigos, diante do governador Lísias ousaram declarar que aqueles falsos deuses não tinham poder algum sobre eles, e que só adorariam ao Deus Único, Criador do Céu e da Terra. Mantiveram o testemunho de Cristo, impressionando a todos por seu amor e sua entrega.

Por não renunciarem aos Mandamentos de Deus, sofreram tenebrosas torturas. E mesmo cruelmente maltratados, não se deixaram abalar em sua convicção e jamais negaram a fé. No ano 303, o Imperador decretou que fossem condenados à morte, na Egeia. Os dois irmãos foram postos, então, diante de uma sólida parede, para que quatro soldados os atravessassem com flechas, mas consta que resistiram às flechadas e também pedradas. Os militares foram assim obrigados a recorrer à espada para a decapitação, considerada uma honra reservada somente aos cidadãos romanos. Dessa maneira é que Cosme e Damião foram martirizados.


* * *

Dois séculos após as suas mortes, por volta do ano 530, o Imperador Justiniano deu ordens para que se construísse, em Constantinopla, uma bela igreja em honra de Cosme e Damião. A fama dos gêmeos também correu no Ocidente, a partir de Roma, e uma basílica foi dedicada a eles, construída a pedido do Papa Félix IV, entre os anos 526 e 530. A solenidade de consagração da Basílica ocorreu num dia 26 de setembro, data em que os santos gêmeos são festejados pela Igreja Católica.

Até hoje, os gêmeos são cultuados em toda a Europa, especialmente na Itália, França, Espanha e Portugal. Além disso, são venerados como padroeiros dos médicos e farmacêuticos. Devido à sua simplicidade e inocência, também são invocados como protetores das crianças, e por isso é que, algumas vezes, foram retratados como infantes.

Aqui no Brasil, como já dissemos, lamentavelmente a veneração autêntica se uniu à feitiçaria. A devoção trazida pelos portugueses misturou-se com o culto aos orixás-meninos (ditos Ibejis ou Erês) da tradição africana yorubá. Cosme e Damião, os santos mabaças ou gêmeos, muito populares, são amplamente festejados na Bahia e no Rio de Janeiro, onde sua festa ganha as ruas e adentra aos barracões de candomblé e terreiros de umbanda, no dia 27 de setembro, quando crianças saem aos bandos pedindo doces e esmolas em nome dos santos.

Uma característica marcante na Umbanda e no Candomblé, em relação às representações de Cosme e Damião, é que junto aos dois santos católicos aparece uma criancinha vestida igual a eles. Essa criança é chamada de Doúm ou Idowu, que personifica as crianças com idade de até sete anos de idade, sendo ele, segundo a crença, o protetor das crianças nessa faixa de idade. Nas festas de tradição afro, enquanto as crianças se deliciam com a iguaria consagrada, os adultos ficam em volta entoando cânticos (oríns) aos orixás.

Triste ver a profanação dos Princípios eternos pelos quais os gêmeos árabes morreram. Suprema contradição: jamais Cosme e Damião deram-se aos ídolos ou praticaram o sincretismo – de fato, exatamente por isso foram executados! Mas o pecado do homem, que consegue distorcer mesmo as coisas mais belas e santas, faz com que o engano se propague por gerações, tornando em mal uma tradição bela, recomendável e santa. S. Cosme e S. Damião foram cristãos fiéis até o fim, amaram o Senhor sem medida e sem restrições manifestaram Jesus em suas vidas diárias. Assim, ganharam inúmeras almas através do Amor e da Pregação. É neste testemunho que devemos nos inspirar.


É lícito que um católico distribua ou aceite doces em honra de São Cosme e São Damião?

Evidentemente, os católicos não devem participar do sincretismo, que é de fato um desvirtuamento da verdadeira veneração desses e de outros santos. Em certas situações, no entanto, torna-se difícil saber quem adota esse costume por verdadeira devoção aos santos ou para homenagear os "orixás". Essa prática só poderia ser permitida aos cristãos se feita por pura caridade, sem qualquer ligação com a paganismo, feitiçarias ou tradições de ritos estranhos à nossa fé. S. Cosme e S. Damião podem somente ser cultuados na fé da Igreja, nas Missas, novenas e orações particulares.

Mais acima, imagem de escultura da umbanda que representa 'Erê' e 'Curumim', invocados sob os nomes de Cosme e Damião, juntamente com o 'Doum', com o qual formam um trio. Acima, a imagem tradicional dos santos católicos grosseiramente adulterada para se adequar às entidades da umbanda. De fato, vê-se que a imagem do santo da esquerda foi apenas recortada, reduzida e colada entre os dois santos.

Cabe salientar que nós, católicos, podemos e devemos saber conviver pacificamente com as diferentes opções religiosas das pessoas que nos cercam, na medida do possível, desde que para isso não deixemos de afirmar a nossa verdadeira fé cristã, católica e apostólica. É preciso sempre deixar muito claro que Cosme e Damião são nossos irmãos na fé, que oram por nós no Céu, e não entidades espirituais da umbanda.

No sincretismo, Cosme e Damião são os orixás "ibeji", filhos gêmeos de "Xangô" e "Iansã", divindades que se creem protetoras do parto duplo, amigos das crianças e responsáveis por atender pedidos em troca de doces (daí o costume de se distribuir doces às crianças no dia 27 de setembro). Sinal evidente, as imagens que apresentam três figuras não são católicas, pois o terceiro elemento representa o chamado "Doum", entidade africana. S. Cosme e S. Damião, evidentemente, são apenas dois. - O dia de S. Cosme e S. Damião é celebrado também pelas linhas candomblé, batuque, xangô do nordeste, xambá e pelos centros de umbanda, sendo que em todos estes são associados aos ibejis.

Atualmente, na Igreja Católica, o dia de Cosme e Damião é 26 de setembro, por conta do dia de São Vicente de Paulo, que morreu no dia 27 e passou a ser festejado nessa data – pois a morte de um santo é o dia em que ele nasce no Céu e para a Igreja. Como não se sabe com exatidão o dia da morte de Cosme e Damião, sua festa foi transferida para o dia 26.

Na Bahia, região onde a cultura africana é mais presente, e o sincretismo também é maior, certos grupos ditos católicos equivocadamente (vergonhosamente) comemoram o dia de S. Cosme e S. Damião juntamente com representantes de outras vertentes religiosas, oferecendo o caruru, comida típica das religiões que cultuam os orixás. Quando se faz o “caruru de santo”, é costume convidar sete crianças normalmente desconhecidas e convidadas na rua, de última hora, para serem servidos antes de todos. A Igreja Católica não aprova nem apoia esse tipo de costume, por favorecer o sincretismo e a confusão de conceitos entre religiões completamente diferentes, mas por ser uma prática que infelizmente está profundamente enraizada na cultura popular, acaba sendo tolerada. De todo modo, mesmo nessas ocasiões, os católicos devem somente manifestar a sua veneração pelos santos mártires, enquanto os umbandistas reverenciam suas entidades.


Justificativas que não justificam

Alguns católicos comparam o costume de se distribuir alimentos e guloseimas de Cosme e Damião, associados a tradições pagãs e entidades africanas, com o costume dos tempos dos Apóstolos de se consagrar o alimento aos deuses (ídolos) antes de consumi-lo, e resolvem o problema com a citação de um trecho da primeira carta de São Paulo aos coríntios. São Paulo Apóstolo diz:

Quanto ao comer das coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que o ídolo nada é no mundo, e que não há outro Deus senão um só. Porque, ainda que haja também alguns que se chamem deuses, quer no Céu quer na Terra, todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para Quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo Qual são todas as coisas, e nós por Ele."
(1Cor 8, 4-6)


Segundo esta linha de pensamento, já que os deuses pagãos não existem, tanto faz comer ou não do alimento consagrado a eles. Além disso, alguns outros nos lembram que o Senhor Jesus disse que não é o que entra pela boca que faz mal ao homem, e sim o que sai dela (cf. Mt 15,11).


O grande problema nessas justificativas é que São Paulo, na passagem citada, salienta que os alimentos oferecidos aos deuses pagãos não eram, na verdade, oferecidos a deus algum, pois os deuses pagãos não existem. Logo, comer daqueles alimentos não significava, de fato, prestar culto a deus algum. É diferente afirmar que os alimentos oferecidos a entidades espirituais potencialmente demoníacas (pois sabemos que o maligno é mestre da dissimulação), estão sendo oferecidos "ao nada". É certo que não seja possível haver outros deuses, pois Deus é um só, mas existem os demônios, e é possível oferecer-lhes culto e prestar-lhes homenagens. Sendo assim, por estarmos tratando de realidades espirituais desconhecidas e não de deuses, a passagem de São Paulo não se aplica à questão dos alimentos consagrados às "entidades" pagãs.

Assim, o cristão que come alimentos consagrados a Cosme e Damião segundo o sincretismo pagão, desconhecendo sua conotação umbandista, age inocentemente. Contudo, o cristão que tem conhecimento do contexto espiritual em que são distribuídos tais alimentos e ainda assim os aceita e come, age mal, não somente incentivando uma festa pagã, como também tomando parte nela.

A existência do mal se verifica não somente na intenção da pessoa ou no escândalo que pode ser causado perante terceiros, mas também nas situações concretas, de tal modo que representações e símbolos, bem como cultos ou festividades, podem ser ocasião de manifestação concreta do mal.

De maneira semelhante, supostos cristãos vão às praias todo final de ano oferecer flores à Iemanjá – um espírito ou divindade que segundo a nossa fé não existe. Poderíamos, então, dizer que não há mal nessa prática? Ora, o grande problema é que essas pessoas estão de fato participando de uma prática pagã, dando mau exemplo aos seus próximos e perpetuando uma crença falsa e idolátrica.

Quanto à afirmação de Nosso Senhor, de que o que entra pela boca não mancha o homem, se a analisarmos dentro do seu contexto próprio, veremos que se refere aos rituais de purificação dos judeus. Por outro lado, é evidente que se comermos alimento putrefato, por exemplo, seremos prejudicados, e muito.

Finalizando, há um princípio essencial do bom senso e da prudência que, se for seguido nesses casos, resolverá tudo: na dúvida, não faça. Melhor ainda, guarde distância.
Fonte: O Fiel Católico 

Veja também: Santo do Dia 26/09

Santo do Dia - São Cosme e São Damião - 26/09

Hoje, lembramos dois dos santos mais citados na Igreja: Cosme e Damião. Eram irmãos gêmeos, médicos de profissão e santos na vocação da vida. Viveram no Oriente e, desde jovens, eram habilidosos médicos. Com a conversão passaram a ser também missionários, ou seja, aproveitando a ciência com a confiança no poder da oração levavam a muitos a saúde do corpo e da alma.
Viveram na Ásia Menor, até que diante da perseguição de Diocleciano, no ano 300 da era cristã, foram presos pois eram considerados inimigos dos deuses e acusados de usar feitiçarias e meios diabólicos para disfarçar as curas. Tendo em vista esta acusação, a resposta deles era sempre:
“Nós curamos as doenças, em nome de Jesus Cristo e pelo Seu poder!”
Diante da insistência, quanto à adoração aos deuses, responderam: “Teus deuses não têm poder algum, nós adoramos o Criador do céu e da terra!”
Jamais abandonaram a fé e foram decapitados em 303. São considerados os padroeiros dos farmacêuticos, médicos e das faculdades de medicina.
São Cosme e São Damião, rogai por nós!

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

23-09 Dia de São Pe. Pio - Resumo da vida

Abrasado pelo amor de Deus e do próximo, São Pio de Pietrelcina viveu em plenitude a vocação de contribuir para a redenção do homem,
segundo a
missão especial que caracterizou toda a sua vida

«Quanto a mim, Deus me livre de me gloriar a não ser na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo» (Gál 6, 14).
Tal como o apóstolo Paulo, o Padre Pio de Pietrelcina colocou, no vértice da sua vida e do seu apostolado, a Cruz do  seu   Senhor como sua força, sabedoria e glória. Abrasado de amor por Jesus Cristo, com Ele se configurou imolando-se pela salvação do mundo. Foi tão generoso e perfeito no seguimento e imitação de Cristo Crucificado, que poderia ter dito: «Estou crucificado com Cristo; já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gál 2, 19). E os tesouros de graça que Deus lhe concedera com singular abundância, dispensou-os ele incessantemente com o seu ministério, servindo os homens e mulheres que a ele acorriam em número sempre maior e gerando uma multidão de filhos e filhas espirituais.
A vocação
Este digníssimo seguidor de São Francisco de Assis nasceu no dia 25 de Maio de 1887 em Pietrelcina, na arquidiocese de Benevento, filho de Grazio Forgione e de Maria Giuseppa de Nunzio. Foi baptizado no dia seguinte, recebendo o nome de Francisco. Recebeu o sacramento do Crisma e a Primeira Comunhão, quando tinha 12 anos.

         Era tido por um menino retraído porque raras vezes brincava com os demais. Quando lhe pediam explicações a este respeito, respondia que "eles blasfemavam". Seus silêncios correspondiam a precoces mas profundas meditações, a momentos de oração entremeados da prática de austeridades as quais já apontavam para a vocação que desde os 5 anos ele percebia claramente: ser capuchinho.
Aos 16 anos, no dia 6 de Janeiro de 1903, entrou no noviciado da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, em Morcone, tendo aí vestido o hábito franciscano no dia 22 do mesmo mês, e ficou a chamar-se Frei Pio. Terminado o ano de noviciado, fez a profissão dos votos simples e, no dia 27 de Janeiro de 1907, a dos votos solenes.
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 O Padre Pio é um dos homens
extraordinários que Deus envia
à terra de vez em quando, para
a conversão dos homens"
(Papa Bento XV)
Depois da Ordenação Sacerdotal, recebida no dia 10 de Agosto de 1910 em Benevento, precisou de ficar com sua família até 1916, por motivos de saúde. Em Setembro desse ano de 1916, foi mandado para o convento de Santa Maria das Graças, situado em São Giovanni Rotondo, onde permaneceu até à morte. Foi uma alegria para ele poder dedicar-se à vida de comunidade e seguir a regra dos capuchinhos.
O dia 25 de maio de 1917 merece especial registro em sua longa e santa vida. Ele completava 30 anos. Enquanto rezava no coro da igreja, foi agraciado com os estigmas da crucifixão de Jesus, os quais permaneceram nele por mais de 50 anos.
No convento, começou exercendo a função de diretor espiritual e mestre dos noviços. Além desse encargo, confessava os habitantes do povoado que freqüentavam a igreja conventual. Foram estes que, pouco a pouco, notaram as características especiais do novo padre: suas Missas às vezes duravam três horas, pois com freqüência entrava em êxtase, e os conselhos que ele dava no confessionário revelavam alguém que "lia as almas".
Certa vez chegou uma jovem de Florença, muito atribulada, pois um familiar próximo tivera a desgraça de cometer suicídio, jogando-se no Rio Arno. Já havia ouvido falar do padre de San Giovanni, e depois da Missa dirigiu- se à sacristia para falar com ele . Apenas este viu a moça, inteiramente desconhecida dele, disse-lhe com doçura:
- Da ponte ao rio demora alguns segundos... A jovem, surpresa e chorando, só pôde responder: - Obrigada, padre.
Fatos maravilhosos como esse se repetiam todos os dias. Chegavam incrédulos que saíam arrependidos de sua falta de Fé. Pessoas tomadas de desespero recuperavam a confiança e a paz de alma. Enfermos retornavam curados a seus lares.
A companhia do Anjo da Guarda
Um traço revelador do privilegiado contato dele com o mundo sobrenatural é a estreita relação que manteve durante toda a vida com seu Anjo da Guarda, ao qual ele chamava de "o amigo de minha infância". Era seu melhor confidente e conselheiro. Quando ele ainda era menino, um de seus professores decidiu pôr à prova a veracidade dessa magnífica intimidade. Para tanto, escreveu-lhe várias cartas em francês e grego, línguas que o Pe. Pio então não conhecia. Ao receber as respostas, exclamou estupefato:
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- Como podes saber o conteúdo, já que do grego não conheces sequer o alfabeto?
- Meu Anjo da Guarda me explica tudo.
Graças a um amigo como esse, junto ao auxílio sobrenatural de Jesus e Maria, o Santo pôde ir acrisolando sua alma nos numerosos sofrimentos físicos e morais que nunca lhe faltaram.
O amor as almas
Abrasado pelo amor de Deus e do próximo, o Padre Pio viveu em plenitude a vocação de contribuir para a redenção do homem, segundo a missão especial que caracterizou toda a sua vida e que ele cumpriu através da direção espiritual dos fiéis, da reconciliação sacramental dos penitentes e da celebração da Eucaristia. O momento mais alto da sua actividade apostólica era aquele em que celebrava a Santa Missa. Os fiéis, que nela participavam, pressentiam o ponto mais alto e a plenitude da sua espiritualidade.
No campo da caridade social, esforçou-se por aliviar os sofrimentos e misérias de tantas famílias, principalmente com a fundação da «Casa Sollievo della Sofferenza» (Casa Alívio do Sofrimento), que foi inaugurada no dia 5 de Maio de 1956.
Para o Padre Pio, a fé era a vida: tudo desejava e tudo fazia à luz da fé. Empenhou-se assiduamente na oração. Passava o dia e grande parte da noite em colóquio com Deus. Dizia: «Nos livros, procuramos Deus; na oração, encontramo-Lo. A oração é a chave que abre o coração de Deus». A fé levou-o a aceitar sempre a vontade misteriosa de Deus.
Viveu imerso nas realidades sobrenaturais. Não só era o homem da esperança e da confiança total em Deus, mas, com as palavras e o exemplo, infundia estas virtudes em todos aqueles que se aproximavam dele.O amor de Deus inundava-o, saciando todos os seus anseios; a caridade era o princípio inspirador do seu dia: amar a Deus e fazê-Lo amar. A sua particular preocupação: crescer e fazer crescer na caridade.
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 "Nunca abandonarei o compromisso que assumi,
perante  Deus e minha consciência, de cuidar
de suas almas."
A máxima expressão da sua caridade para com o próximo, ve-mo-la no acolhimento prestado por ele, durante mais de 50 anos, às inúmeras pessoas que acorriam ao seu ministério e ao seu confessionário, ao seu conselho e ao seu conforto. Parecia um assédio: procuravam-no na igreja, na sacristia, no convento. E ele prestava-se a todos, fazendo renascer a fé, espalhando a graça, iluminando. Mas, sobretudo nos pobres, atribulados e doentes, ele via a imagem de Cristo e a eles se entregava de modo especial.
Exerceu de modo exemplar a virtude da prudência; agia e aconselhava à luz de Deus.
O seu interesse era a glória de Deus e o bem das almas. A todos tratou com justiça, com lealdade e grande respeito. Nele refulgiu a virtude da fortaleza. Bem cedo compreendeu que o seu caminho haveria de ser o da Cruz, e logo o aceitou com coragem e por amor. Durante muitos anos, experimentou os sofrimentos da alma. Ao longo de vários anos suportou, com serenidade admirável, as dores das suas chagas.
Um grande confessor
Quando Pe. Pio cantou sua primeira Missa solene, seu antigo professor, o Pe. Agostinho, fazendo a homilia, dirigiu ao neo-sacerdote estas palavras que se revelaram proféticas: "Não tens muita saúde, não podes ser um pregador. Desejo-te, pois, que sejas um grande confessor" .
Décadas mais tarde, alguém lhe perguntou qual missão havia ele recebido de Nosso Senhor Jesus Cristo, e o santo capuchinho respondeu com simplicidade: "Eu? Eu sou confessor" .
Os prodigiosos dons místicos que recebera da Providência não eram senão um anzol por meio do qual ele arrastava as almas a se purificarem de seus pecados no sacramento da Reconciliação. Passava até 15 horas por dia no confessionário .
A seus pés vinham ajoelhar-se pessoas de todas as idades e condições sociais, inclusive bispos e sacerdotes, em busca de absolvição, conselho e paz de alma. As filas de confissão eram enormes, a ponto de tornar necessária a distribuição de senhas numeradas para ordenar o atendimento.
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 "Embora cientes de nossa dívida para com Deus, não
duvidemos de que nossos pecados são perdoados
na confissão. Assim como fez o Senhor,
coloquemos sobre eles uma
pedra sepucral."
Ele lia no interior das almas como em um livro aberto. Certo dia, um comerciante pediu-lhe a cura de uma filha muito enferma e recebeu esta resposta:
- Tu estás muito mais doente que tua filha. Vejo-te morto. Como podes sentir-te bem com tantos pecados na consciência? Estou vendo pelo menos trinta e dois...
Surpreso, o homem correspondeu prontamente à graça recebida: ajoelhou-se para se confessar. Quando terminou, disse para quantos quisessem ouvi-lo: "Ele sabia tudo e me disse tudo!"
Em outra oportunidade, um advogado de Gênova, ateu militante, decidiu ir a San Giovanni Rotondo para "desmascarar aquela fraude de frades". Mal entrou na sacristia junto com os peregrinos, o Pe. Pio, que nunca o havia visto antes, interpelou-o, denunciando suas más intenções. Em seguida, sem mais palavras, apontou-lhe o confessionário.
Ante a estupefação geral, o advogado ajoelhou-se, abriu seu coração e, com a ajuda do Santo, examinou toda a sua vida passada, de pecados e de luta contra a Santa Igreja. Ao levantar-se, era outro homem. Permaneceu três dias no convento, degustando a inocência readquirida, antes de regressar à sua cidade natal. A notícia dessa conversão foi objeto de manchetes nos órgãos de imprensa. Pouco depois ele retornou a San Giovanni para receber do Pe. Pio o escapulário da Ordem Terceira Franciscana .
Amor ao sofrimento
Quando o seu serviço sacerdotal esteve submetido a investigações, sofreu muito, mas aceitou tudo com profunda humildade e resignação. Frente a acusações injustificáveis e calúnias, permaneceu calado, sempre confiando no julgamento de Deus, dos seus superiores diretos e de sua própria consciência.
Recorreu habitualmente à mortificação para conseguir a virtude da temperança, conforme o estilo franciscano. Era temperante na mentalidade e no modo de viver.
Consciente dos compromissos assumidos com a vida consagrada, observou com generosidade os votos professados. Foi obediente em tudo às ordens dos seus Superiores, mesmo quando eram gravosas. A sua obediência era sobrenatural na intenção, universal na extensão e integral no cumprimento. Exercitou o espírito de pobreza, com total desapego de si próprio, dos bens terrenos, das comodidades e das honrarias. Sempre teve uma grande predileção pela virtude da castidade. O seu comportamento era, em todo o lado e para com todos, modesto.
Considerava-se sinceramente inútil, indigno dos dons de Deus, cheio de misérias e ao mesmo tempo de favores divinos. No meio de tanta admiração do mundo, ele repetia: «Quero ser apenas um pobre frade que reza».
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 "Abramos nossos corações à confiança e à
esperança. Nossa Senhora vem com as mãos
cheias  de graças e  bênçãos. Devemos amar
nossa Mãe celestial com perseverança,
e Ela não nos abandonará na
dor quando partir daqui".
Desde a juventude, a sua saúde não foi muito brilhante e, sobretudo nos últimos anos da sua vida, declinou rapidamente.
Minha Mãe, Vós partis e me deixais enfermo!?. . .
As enfermidades de Pe. Pio deixaram desconcertados todos os médicos que dele trataram. Com menos de 30 anos, foi examinado por um especialista em doenças pulmonares o qual prognosticou poucas semanas de vida... e ele viveu ainda mais de meio século. Seus estigmas sangraram diariamente por mais de cinqüenta anos, sem cicatrizar nem causar qualquer infecção .
Em 25 de abril de 1959 os médicos lhe diagnosticaram broncopneumonia complicada com pleurisia, o que o obrigou a um repouso absoluto. Ele sofria com isto, por ver-se privado de exercer seu ministério para o bem das almas.
Nesse mesmo dia, chegou à Itália a imagem de Nossa Senhora de Fátima. Em San Giovanni Rotondo, ela foi recebida pelo Arcebispo e todo o clero da região, junto com uma multidão de fiéis.
O Pe. Pio lhes havia dito: "Abramos nossos corações à confiança e à esperança. Nossa Senhora vem com as mãos cheias de graças e bênçãos. Devemos amar nossa Mãe celestial com perseverança, e Ela não nos abandonará na dor quando partir daqui".
Movendo-se em cadeira de rodas, o Santo tinha podido oscular os pés da imagem sagrada e colocar um Rosário entre suas mãos. Naquela tarde, ela partiu de helicóptero do terraço do hospital, com destino à Sicília, dando três voltas em torno do convento, para uma última bênção à multidão reunida na praça.
Postado numa janela, o Pe. Pio olhava tudo e, não podendo conter-se, exclamou:
- Senhora! Minha Mãe, estou enfermo desde o dia de vossa chegada à Itália... Vós partis agora e me deixais assim!? - No mesmo instante sentiu um "calafrio nos ossos" e disse a seus irmãos presentes:
- Estou curado! - E estava mesmo. No dia 10 de agosto pôde celebrar Missa novamente, e declarou: "Estou são e forte como nunca antes em minha vida".
No final, a glorificação
A irmã morte levou-o, preparado e sereno, no dia 23 de Setembro de 1968; tinha ele 81 anos de idade. O seu funeral caracterizou-se por uma afluência absolutamente extraordinária de gente.
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São Pio de Pietrelcina foi, acima de tudo,
uma alma crucificada, oferecida como
vítima voluntária pelo mundo,
escondida  em um permanente
colóquio com o Senhor.
No dia 20 de Fevereiro de 1971, apenas três anos depois da morte do Padre Pio, Paulo VI, dirigindo-se aos Superiores da Ordem dos Capuchinhos, disse dele: «Olhai a fama que alcançou, quantos devotos do mundo inteiro se reúnem ao seu redor! Mas porquê? Por ser talvez um filósofo? Por ser um sábio? Por ter muitos meios à sua disposição? Não! Porque celebrava a Missa humildemente, confessava de manhã até à noite e era - como dizê-lo?! - a imagem impressa dos estigmas de Nosso Senhor. Era um homem de oração e de sofrimento».
Já gozava de larga fama de santidade durante a sua vida, devido às suas virtudes, ao seu espírito de oração, de sacrifício e de dedicação total ao bem das almas.
Nos anos que se seguiram à sua morte, a fama de santidade e de milagres foi crescendo cada vez mais, tornando-se um fenômeno eclesial, espalhado por todo o mundo e em todas as categorias de pessoas.
Assim Deus manifestava à Igreja a vontade de glorificar na terra o seu Servo fiel. Não tinha ainda passado muito tempo quando a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos empreendeu os passos previstos na lei canónica para dar início à Causa de beatificação e canonização. Depois de tudo examinado, como manda o Motu proprio «Sanctitas Clarior», a Santa Sé concedeu o nihil obstat no dia 29 de Novembro de 1982. O Arcebispo de Manfredónia pôde assim proceder à introdução da Causa e à celebração do processo de averiguação (1983-1990). No dia 7 de Dezembro de 1990, a Congregação das Causas dos Santos reconheceu a sua validade jurídica. Ultimada a Positio, discutiu-se, como é costume, se o Servo de Deus tinha exercitado as virtudes em grau heróico. No dia 13 de Junho de 1997, realizou-se o Congresso Peculiar dos Consultores Teólogos, com resultado positivo. Na Sessão Ordinária de 21 de Outubro seguinte, tendo como Ponente da Causa o Exmo. e Revmo. D. Andrea Maria Erba, Bispo de Velletri-Segni, os Cardeais e Bispos reconheceram que o Padre Pio de Pietrelcina exercitou em grau heróico as virtudes teologais, cardeais e anexas.
No dia 18 de Dezembro de 1997, na presença do Papa João Paulo II foi promulgado o Decreto sobre a heroicidade das virtudes. Para a beatificação do Padre Pio, a Postulação apresentou ao Dicastério competente a cura da senhora Consiglia de Martino, de Salerno. Sobre o caso desenrolou-se o Processo canônico regular no Tribunal Eclesiástico da arquidiocese de Salerno-Campanha-Acerno, desde Julho de 1996 até Junho de 1997. Na Congregação das Causas dos Santos, realizou-se, no dia 30 de Abril de 1998, o exame da Consulta Médica e, no dia 22 de Junho do mesmo ano, o Congresso Peculiar dos Consultores Teólogos. No dia 20 de Outubro seguinte, reuniu-se no Vaticano a Congregação Ordinária dos Cardeais e Bispos, membros do Dicastério, e, no dia 21 de Dezembro de 1998, foi promulgado, na presença do Papa João Paulo II, o Decreto sobre o milagre.
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No dia 2 de Maio de 1999, durante uma solene Celebração Eucarística na Praça de São Pedro, Sua Santidade João Paulo II, com sua autoridade apostólica, declarou Beato o Venerável Servo de Deus Pio de Pietrelcina, estabelecendo no dia 23 de Setembro a data da sua festa litúrgica.
Para a canonização do Beato Pio de Pietrelcina, a Postulação apresentou ao competente Dicastério o restabelecimento do pequeno Matteo Pio Collela de São Giovanni Rotondo. Sobre este caso foi elaborado um processo canônico no Tribunal Eclesiástico da arquidiocese de Manfredonia-Vieste, que decorrem de 11 de Junho a 17 de Outubro de 2000. No dia 23 de Outubro de 2000, a documentação foi entregue à Congregação das Causas dos Santos. No dia 22 de Novembro de 2001 é aprovado, na Congregação das Causas dos Santos, o exame da Consulta Médica. No dia 11 de Dezembro de 2001, é julgado pelo Congresso Peculiar dos Consultores Teólogos e, no dia 18 do mesmo mês, pela Sessão Ordinária dos Cardeais e Bispos. No dia 20 de Dezembro, na presença do Papa João Paulo II, foi promulgado o Decreto sobre o milagre; no dia 26 de Fevereiro de 2002, foi publicado o Decreto sobre a sua canonização. Fontes: www.vatican.va / Revista Arautos do Evangelho, Set/2004, n. 33, p. 20 à 23